terça-feira, 2 de agosto de 2011

Therion

1987


Tudo começa no ano de 1987 em Estocolmo cidade da Suécia, onde um grupo de garotos influenciados por grandes bandas da época (como Celtic Frost, Venom, Metallica, Motorhead e Slayer) decidem montar a sua própria banda, voltada para o estilo que mais gostavam: o "trash metal".
Blitzkrieg foi o nome escolhido para a banda (que significa algo como uma guerra relâmpago, um ataque repentino) e que nada tem a ver com homônima banda inglesa do mesmo nome.
A formação original contava com o baixista Christofer Johnsson, o guitarrista Peter Hansson, o baterista Oskar Forss e o vocalista Matti Kärki. Depois de mais ou menos um ano tocando juntos, divulgando o seu trabalho com algumas apresentações em sua própria cidade a banda se desfez por vários motivos. No entanto, depois de alguns meses, os componentes voltaram a tocar juntos mudando o nome da banda para Megatherion e mais tarde optando somente por Therion (a influência que o Celtic Frost exercia sobre o grupo era tão latente, que o nome da banda fora extraído do disco "To Mega Therion", que Tom Fischer dedicou ao polêmico Aleister Crowley, considerado o maior nome do Ocultismo da nossa era). Com a saída de Matti, C. Johnsson, líder da banda, assume os vocais e as guitarras, com isso, um novo baixista assumiu as quatro cordas: Erik Gustafsson. O estilo do Therion evoluiu para o "death metal", que na época era tão estranho como o "trash". Com esta formação e estilo a banda começou sua carreira musical, que viria a ganhar muito prestígio com o passar dos anos.


1989


Em 1989, a banda gravou dois demos independentes com três músicas cada, o primeiro intitulou-se "Paroxysmal Holocaust" com uma pequena tiragem de 600 cópias no formato cassete e o segundo foi "Beyond The Darkest Veils Of Inner Wickedness", também em cassete, com limitada 500 cópias; mais adiante gravou também um Mini-LP com quatro músicas intitulado "Time Shall Tell", que foi vendido pela House Of Kicks, uma pequena loja - gravadora local, com uma tiragem limitada de 1000 cópias. Do sucesso destas gravações, o Therion conseguiu assinar seu primeiro contrato com uma gravadora, a Deaf Records filiada ao Peaceville Records na Inglaterra.


1990


Foi em Agosto de 1990, no Sunlight Studio, em Estocolmo (Suécia) que o grupo gravou seu primeiro álbum, "Of Darkness" que só foi comercializado no ano seguinte. "Of Darkness" continha apenas músicas escritas entre 1987-1989; a própria banda percebeu que o estilo musical estava mudando e, por isso "guardou" as músicas novas para um outro álbum. Mesmo contendo apenas velhas canções o disco foi bem sucedido comercialmente, mostrando um "death metal raiz", com vocais rasgados e ríspidos, típicos do estilo. O grupo ficou conhecido como uma das melhores bandas de "death" da Suécia.


1991


Deste ponto em diante, o Therion foi forçado a mudar algumas vezes de gravadora, conforme a banda sentia que não possuía o apoio necessário. Eles assinaram um contrato com  a Active Records - outra gravadora inglesa - e assim fizeram seu segundo álbum "Beyond Sanctorum", a gravação feita em Dezembro de 91 no Montezuma Studio mostrou um progresso no estilo musical em relação ao início da banda. Haviam elementos novos, como teclados, vocais femininos, ritmos folk e até música persa em uma das canções. Estas mudanças foram dificilmente aceitas pêlos fãs e bandas de música extrema mais conservadoras da época, devido ao crescimento de uma organização extremista denominada Inner Circle; entenderás mais abaixo.


No meio da década de 80, bandas como Mayhem da Noruega, o sueco Bathory e um suíço Hellhammer, começavam a ganhar destaque na cena underground nórdica, fazendo um som sombrio, demoníaco e blasfemo. Este era o momento também no qual muitas outras bandas norueguesas como Darkthrone, Emperor e Burzum davam seus primeiros passos.


Motivados pelo crescimento desse promissor cenário black metal Norueguês e, é claro inspirados pelo satanismo e suas diretrizes, esse grupo de bandas iria mais além e fundariam juntas, uma organização fechada denominada "Inner Circle", onde o objetivo era por em prática suas ideologias satânicas. Tendo como líder máximo o insano Oystein Aarseth mais conhecido como Euronymous e também frontman do lendário Mayhem, o grupo logo começou a se manifestar através de atos terroristas, contra igrejas, assassinatos e outras atrocidades, tudo feito em nome do "black metal" e suas ideologias satanistas. Cada ato consumado significaria em pontos, e o acúmulo de pontos acrescia em posições mais altas na doutrina para quem o cometesse.




No começo dos anos 90 a instituição continuava a arrebanhar novos seguidores, e os atentados estavam cada vez mais severos e impiedosos. Muitos sofriam nas mãos dos membros do "Inner Circle". Para se ter uma idéia, o Paradise Lost, por exemplo teve seu "tour bus" cercado por seguidores da macabra instituição. Segundo declaração de Nick Holmes (vocal do Paradise na época), os responsáveis pelo episódio não tinham mais que dez anos de idade.


O Therion, odiado por unanimidade pela instituição, sendo que um dos motivos é pela banda tocar "death", também não ficou de fora. Devido a várias diferenças ideológicas que bateram de frente com o legado da ordem, Varg Vikernes do Burzum, também conhecido como Count Grishnackh dentro do "Inner Circle", além de ameaçar Christofer Johnsson de morte, também ocasionou um atentado ocorrido na própria residência de Christofer. Uma garota conhecida pelo nome de Suuvi Puurunen, a mando de seu namorado Varg, espetou um disco do Burzum em chamas na porta da casa de C. Johnsson.


Hoje Varg Vikernes cumpre pena na penitenciaria de Oslo, capital da Noruega, ele pegou vinte e um anos de prisão devido seu ato inconseqüente de ódio e inveja. Varg matou com vinte e seis facadas o líder e guitarrista Euronymous do Mayhem.


Outro motivo de retaliação ao Therion ocorreu devido a existência de outra facção o "Inner Circle Of Dragon Rouge", a qual Christofer fazia ou faz parte.


É uma organização voltada para as coisas mais místicas e ocultas possíveis e que qualquer pessoa pode fazer parte, uma vez ingressado no Dragon Rouge o indivíduo passa por estágios, funcionando como uma seleta Ordem Magicka. A organização não faz ligação com o satanismo, pois para eles satanismo é uma criação baseada sobre o oposto à cristandade, a qual consideram uma religião muito nova.


Dragon Rouge trabalha com forças de eras bem mais antigas que o cristianismo. Estuda a ciência oculta num todo, o que revela um rico conhecimento sobre a Magia Negra, Magia Enochian (magia na linguagem específica da Magia Negra), Qabalah, Alquimia, Tantrismo, Voodoo e nas Magias Yezidi e Vril (força, poder e energia do mundo misterioso de Agharti) entre outras.


O Dragon Rouge tem cerca de quinhentos membros na Suécia e segundo C. Johnsson, é uma das poucas organizações que exerce um verdadeiro trabalho com o lado sombrio da Magia. É um método que exercita o fortalecimento do poder individual e o auto desenvolvimento das pessoas, as chamadas "qualidades parapsicológicas", que através de rituais e técnicas mágicas podem abrir partes do ego que estão escondidos. Tendo como símbolo da ordem um dragão vermelho que representa a vida primordial – a força do homem, o Dragon Rouge tem várias sedes e grupos de rituais por toda a Suécia e alguns lugares da Noruega.


1992


Bem, voltando ao que nos interessa, em 1992, o Therion passa por mais um período difícil: Oskar teria seu segundo filho, e por isso sentiu que deveria mostrar mais responsabilidade com a família; Erik mudou-se para o Texas (EUA), junto com sua família e, Peter queria seguir outro estilo musical (mais voltado para o Pop). Christofer estava simplesmente sozinho e como o esforço da gravadora em manter a banda ativa não foi tão grande como ele esperava, a banda quase acabou, mas C. Johnsson não desistiu e ressuscitou o grupo, com um line-up completamente renovado: Magnus Barthelson nas guitarras, Andreas Wallan Wahl no baixo e Piotr Wawrzeniuk (Carbonized) na bateria [o galera de nome difícil, hein!].


1993


Com estes novos integrantes o Therion fez alguns shows na Holanda, Bélgica e Suécia e, depois disso assinou um contrato com a gravadora sueca Megarock Records, criando assim no começo de 1993, novamente no Montezuma Studio, seu terceiro disco "Symphony Masses: Ho Drakon Ho Megas", trabalho lançado para experimentar a mistura de "death metal" com influências sinfônicas, música árabe, industrial e "heavy metal" tradicional dos anos 80. Na opinião de algumas pessoas, este álbum não foi tão bom como os anteriores, mas a vendagem média foi muito boa e a banda deu outro passo a frente mostrando versatilidade e identidade própria. Outras turnês menores foram feitas antes de acontecerem novos problemas com a formação: tanto Magnus quanto Andreas deixaram a banda por motivos financeiros - a banda não era nenhuma mina de ouro, mas precisava de muito trabalho , que levou um certo tempo para ser realizado - então a formação número três foi rapidamente feita, mostrando um novo baixista Fredrik Isaksson, o Therion então era um trio, e fez sua primeira grande turnê junto com outras três bandas: Samael, Grave e Massacra.


1995


Apesar da Megarock estar trabalhando muito para promover a banda, ela nunca conseguiu eleva-la até o ponto desejado por eles, então outro contrato foi assinado, agora com a Nuclear Blast Records da Alemanha, que tinha tudo aquilo que o grupo sempre procurou, gravando assim em 1995 o seu primeiro Cd-Single "The Beauty In Black", que foi uma amostra do que viria à ser o quarto título da banda, "Lepaca Kliffoth", gravado no conhecido Music Lab Studios em Berlin e produzido por Harris Johns (Sodom, Tankard, Kreator).


Um disco de "heavy metal" onde se começa a notar seu futuro estilo que, cada vez mais caminhava para as influências sinfônicas; o clássico "Beauty In Black" tem arranjos melancólicos orquestrados, bem como cantos de ópera parcialmente executados pêlos sopranos Hans Groning e Claudia Maria Mokri, que participou também no "Into The Pandemonium", quarto álbum do Celtic Frost, banda que Christofer Johnsson foi e, é fã de carteirinha, principalmente na época que o Therion era uma banda de puro "death metal". Essa admiração por Celtic Frost, rendeu um cover de "Sorrows Of The Moon". Esse momento foi muito bom para o grupo, que fez uma bela turnê na Alemanha junto com o Annihilator e mais outros memoráveis shows pela Europa e México. Depois da saída de Fredrik do grupo, por motivos pessoais, a banda fez ainda sua primeira turnê pela América do Sul e planos sérios de criar o álbum sinfônico mais fantástico da década foram tecidos.


1996


Em meados de 1996, tendo uma conversa com o pessoal da gravadora C. Johnsson disse que não queria fazer outro álbum voltado para as guitarras e seus vocais, disse que tinha algumas músicas que poderiam compor um álbum totalmente sinfônico que teriam grandes chances de dar certo; a Nuclear Blast não interferiu em nada e deu o maior suporte à banda para o desenvolvimento do trabalho.


Uma formação mais completa contando com Lars Rosenberg (Carbonized / Entombed) e Jonas Mellberg - guitarra e baixo respectivamente - entrou no Impulse Studio em Hamburgo para conseguir o título de maior gasto em uma gravação da Nuclear Blast Records até então; compondo uma das obras mais inspiradas surgida no cenário metálico europeu. Para isso foram contratadas a Orquestra Sinfônica de Barmbek e dois corais completos: um deles foi o North German Radio Choir, que contribuiu com os vocais de ópera e o outro era um coral de rock profissional, chamado The Siren Choir. O resultado de um mês e meio de trabalho pesado no estúdio junto com os produtores Jan P. Genkel e Gottfried Koch, foi o impressionante álbum "Theli", eleito o melhor disco de "heavy metal" de 96 e o limitado EP "Siren Of The Woods" que saiu com três músicas editadas para rádio, destaque para "Babalon" que Lars tinha escrito para o Entombed, mas cedeu como faixa exclusiva para esse EP, tornando-o um item indispensável para os admiradores e colecionadores da banda.


"Theli" é um disco de "heavy metal" inovador, as dez faixas que o compõem são uma verdadeira demonstração prática do que deve ser feito para que a música clássica case perfeitamente com o "heavy metal", os arranjos clássicos, as vozes operísticas  e as mudanças de andamentos mostram uma mistura surpreendente e muito poderosa. A maioria dos vocais são de um tipo único e contagiante: os corais líricos são usados em cada canção, fornecendo uma atmosfera gótica, mística e obscura; até então nada tinha soado como esse álbum na cena "heavy metal". As músicas de "Theli"  seguem uma seqüência, contam uma história, transmitindo as sagas de vários deuses desconhecidos com muito misticismo, baseadas em mitologias gregas , egípcias e romanas. São composições pesadas, melódicas, complicadas e, acima de tudo, originalíssimas, frutos da mente inquieta do mentor, guitarrista, vocalista, tecladista e principal compositor do grupo sueco C. Johnsson. Uma das músicas que mais representa a atmosfera do disco é "To Mega Therion", uma composição perfeita, que mistura solos de guitarras com quarteto de cordas e ópera, uma obra prima da música pesada. Vale a pena também notar as atuações de Piotr Wawrzeniuk (Carbonized) e Dan Swanö (Nightingale) com seus vocais góticos, contagiando em músicas como "Cults Of The Shadow" e "Nightside Of Eden". Este disco foi a explosão que a banda esperava há muito tempo."Theli" passou a vender que nem pãozinho quente, atingindo a marca de  100.000 cópias, incluindo fitas de vídeo para o leste da Europa. Muitas turnês longas foram feitas nesse continente; um desses grandes shows foi realizado junto com o Amorphis, também participaram do famoso festival de duas semanas na Grécia: o Dynamo Festival, com My Dying Bride, Sentenced, Secret Discovery e Sundown, diante de um público de 25.000 pessoas.    


1997    


1997 marca o ano do décimo aniversário do Therion e com isso eles lançaram o álbum "A'arab Zaraq Lucid Dreaming", contendo covers do Scorpions, Iron Maiden, Running Wild e Judas Priest; mais algumas músicas inéditas das gravações de "Theli" que não couberam no álbum; uma regravação instrumental de "Symphony Of The Dead" clássico antigo do disco "Beyond Sanctorum" e também versões "therionizadas" de uma trilha sonora de música clássica que C. Johnsson fez como artista solo para o filme "The Golden Embrance", incluindo também as versões originais como bonus. Esse álbum traz uma boa visão de uma banda que transitou por vários estilos do metal: do "death" até o que foi definido pelo próprio Christofer como "Sinfõnico/Orquestral/Ópera-Metal De Vanguarda". Esse disco marca a última participação de Dan Swanö e Piotr que deixa a banda e a música para se dedicar a dar aulas de história, Lars e Jonas tinham sérios problemas com alcoolismo e também deixaram o Therion, nos presenteando com vários clássicos, a exemplo de "In Remembrance" e "Black Fairy".


1998


Como a cada álbum que gravam sempre há um progresso, uma melhora na qualidade de gravação e capacitação dos músicos eis que, seguido do mesmo conceito desenvolvido pelo "ópera metal", o Therion lança em 1998, "Vovin" que assim como "Theli" em hebraico, também significa dragão, mas em Enochian (linguagem específica da Magia Negra). Junto também foi distribuído o single promocional "Eye Of Shiva" somente para os meios de comunicação especializados em metal, contendo quatro faixas sendo que duas delas "Eye Of Shiva" e "Birth Of Venus Illegitima" foram editadas para rádio. Esse single é um material dificílimo de se encontrar.


A banda, nesse álbum era então um projeto solo de Johnsson, que cercou-se de músicos profissionais de estúdio para executar as músicas por ele compostas para "Vovin": Martina Hornbacher nos vocais, Tommy Erisson na guitarra, Wolf Simons na bateria e Jan Kazda no baixo - com a providencial ajuda de um coro de vozes e um quarteto de cordas - souberam captar toda a elegância e sensibilidade dos arranjos. Este trabalho foi encarado com muito mais responsabilidade, tratando-o não apenas como um simples álbum, mas sim como uma continuação aperfeiçoada daquele estilo que começou a se desenvolver em "Beyond Sanctorum". O álbum é melhor tocado e um pouco mais melancólico e clássico, as músicas são mais estruturadas, todas executadas com corais de ópera tradicional como soprano, alto, tenor, bass; enquanto os arranjos clássicos feitos em "Theli" foram orquestrações desempenhadas por teclados;"Vovin" foi gravado com instrumentos reais de cordas e sopros, assim a orquestração soou muito mais original e expressiva. Os elementos "heavy metal" estão um pouco mais escassos do que em "Theli", o som das guitarras reduziram-se a ritmos galopantes simples, uns riffs e alguns solos, não deixando de ser acima de tudo, puro "metal", clássico e pesado. "Wine Of Aluqah" e "Draconian Trilogy" são os pontos altos de "Vovin", a letra de "Draconian Trilogy" representa todo o conceito por trás do Therion, o lance do dragão fica bem claro nela, destaque para a participação de Ralf Scheepers (Primal Fear) na faixa mais metálica do álbum "The Wild Hunt". Apresentações magistrais com uma orquestra inteira foram feitos em grandes festivais como o Wacken e o Dinamo Festival.     


1999


No meio do ano de 1999, com a mesma formação contratada do disco anterior, veio o álbum "Crowning Of Atlantis", um disco no meio das sortes, pois a intenção era de se fazer um mini-cd, um release para próximo trabalho, sem o cover do Manowar e as faixas ao vivo. Porém o propósito da Nuclear Blast, sua gravadora; era de lançar um álbum completo. Então o grupo reestruturou esse trabalho ficando com três músicas inéditas, um remix com vocal de soprano masculino para "Clavicula Nox", mais três covers: "Crazy Nights" (do Loudness), "Thor - The Powerhead" (do Manowar) com os vocais de Ralf Scheepers (Primal Fear) e a regravação de "Seawinds" (do primeiro disco do Accept) com as vozes que dispensam comentários de Martina Hornbacker e Sarah Jesibel Deva, num clima obscuramente gótico; e fechando o disco, três faixas ao vivo, que mostram que a banda é tão capaz quanto nos álbuns de estúdio. Esta tornou-se uma coleção variada e agradável de canções que mostra uma excelente ponte entre o "Therion velho" e este "modelo novo" com uma apelação ao amor pelo "metal" verdadeiro.No final de Setembro de 1999, a banda se reorganiza com Kristian Niemann nas guitarras, Johan Niemann no baixo e Sami Karpinnen na bateria.


2000


Três meses de gravação no Woodhouse Studio na Alemanha, resultaram no álbum "Deggial", a demora deve-se pela complexidade de gravar junto com a banda, um grupo de mais 27 músicos diferentes entre orquestra, coral e metais. Lançado no final do mês de Janeiro de 2000, "Deggial" (personagem de uma antiga lenda árabe que traduz algo como "falso profeta" o "anticristo" mas que nada tem a ver com o anticristo cristão) é para muitos a coroação do novo estilo da música do Therion, se compararmos com os álbuns anteriores, este trabalho é mais clássico, mas é também mais "heavy metal", podemos ouvir muito mais influências oitentistas neste álbum do que em qualquer outro que já tenham feito, o revival dos anos 80 é apresentado em vários andamentos e riffs de guitarras; C. Johnsson como compositor e arranjador teve como base as influências de compositores alemães como Wagner e Strauss e do russo Mussurgosky, o que lhe permitiu fundir perfeitamente os elementos da ópera clássica com o "death/doom metal", definindo não somente um novo gênero desde sua ascensão em "Theli", mas também um aperfeiçoamento na produção, empregando uma orquestra/coral completa; um exemplo disso é a fidelidade na versão que fecha o álbum: "O Fortuna" (primeiro andamento de "Fortuna Imperatrix Mundi - Carmina Burana" de Carl Orff) que não deixa nada à desejar para a original. Outro destaque memorável nesse disco é a participação de Hansi Kursch (Blind Guardian), nos vocais de "Flesh Of  The Gods".


2001


No começo de  Outubro de 2001, foi lançado "Secrets Of The Runes", um álbum  totalmente conceitual, trazendo uma temática mitológica cujos os alicerces encontram referências claras em "O Silmarillion" ( livro de J.R.R. Tolkien ) e numa antiga tradição nórdica que é baseada na existência de uma árvore ramificada por nove mundos distintos chamada de Yggdrasil, onde o álbum é focalizado, nos trazendo misteriosas lendas gregas sobre a origem do universo, o bem e o mal, a consagração dos deuses e conceitos organizados de maneira que praticamente íntima sobre o mundo mágico de Odin, convidando o ouvinte a desafiar as esferas negras na busca para o entendimento das Runas, que trazem os segredos da ascensão e decadência desses nove mundos. Cada mundo de Yggdrasil têm sua respectiva música no álbum, que varia de estilo e andamento de acordo com o conceito do mundo que representam, desde o prólogo "Ginnungagap" que é o vácuo da criação até o epílogo "Secrets Of The Runes" que canta a quinta essência de Thyrfing, falando da viagem que Odin fez quando recebeu as Runas. A ilustração da capa representa o diagrama "The Great Tree Yggdrasil" (a grande árvore de Yggdrasil ). Em "Secrets Of The Runes" a formação se manteve estável, a coesão entre os integrantes ficou fantástica, isto fica claro a cada faixa executada: riffs de guitarras pesados e poderosos, baixo marcante e uma bateria cadenciada com exatidão, unidos a principal característica do Therion: a grandiosidade nos arranjos orquestrais, desempenhadas por uma ópera de 25 músicos ( dentre coral e instrumentos de sopro e cordas como flauta, trombone e oboé ). Os mais atenciosos notarão que a influência das óperas de Librettos do compositor alemão Richard Wagner, está mais latente do que nunca na música do Therion. Curiosidades à parte, a audição do álbum à imprensa foi realizada num antigo local de culto nórdico e depois todos foram para um navio viking em alto mar com direito a roupas, comida e músicas típicas dos bárbaros. Este álbum recebeu ótimas críticas por todo o mundo, elevando ainda mais o status da banda, que excursionou por todo o globo, incluindo o Brasil em 2001 mesmo, tocando em São Paulo no Direct Music Hall dia 26/10, em Curitiba no Moinho São Roque dia 27/10 e em Porto Alegre no Bar Opinião dia 28/10, sem dúvida alguma shows marcantes que deixaram saudades, pois muita gente nem mesmo os fãs mais ardorosos imaginavam que um dia teriam o prazer de assistir os suecos tocando ao vivo em terras tupiniquins.        


Já no final de outubro o Official Therion Fanclub lançou "Bells Of Doom" , um registro exclusivo, organizado por Ivo Elezovic, contendo alguns b-sides e faixas antigas que nunca foram publicadas ou tocadas ao vivo; uma raridade dos primórdios da banda, onde todo o seu potencial se gastava na voracidade do "death metal". É um disco excelente e difícil de conseguir, pois é comercializado somente pelo fã-clube, imprescindível para qualquer colecionador.


2002


2002  é o ano do décimo quinto aniversário do Therion, como forma de comemoração e agradecimento aos fãs, foi finalizado no final de Setembro "Live In Midgard", primeiro álbum duplo e ao vivo da banda, resultante da bem sucedida turnê de seu último disco "Secrets Of Runes". Foram selecionadas gravações de shows realizados na América do Sul e Europa, especificadamente na Colômbia, Budapeste e Hamburgo. "Live In Midgard" não é um daqueles supostos registros ao vivo que de tanta manipulação técnica, acabam soando como meros discos de estúdio, o grupo fez questão de gravar um verdadeiro registro ao vivo (do tipo "Live After Death" - Iron Maiden; "Live Evil" - Black Sabbath; "Alive I, Il e Ill" - Kiss) feito na raça, sem preocupações prévias, conseguindo nos transportar para a primeira fila de um show. Para uma banda que faz um som bastante rico em detalhes; a qualidade e fidelidade desse álbum superam as expectativas, pois esse foi gravado quase que completamente sem as correções de overdubs, demonstrando bastante naturalidade ao registrar as performances da banda em palco. Estão aqui todos os clássicos desde "The Return" ("Of Darkness") até "Summer Night City" (Secrets Of The Runes), realmente um registro histórico que mostra dessa forma o que o Therion fez de melhor durante esses quinze anos de estrada.


Somando o tempo que durou a turnê do conceitual "Secret of the Runes", e comemorando dos quinze anos de carreira da banda, com o fruto dessa bem sucedida turnê, o "Live in Midgard", torna-se evidente a demora do grupo para soltar um novo material, mas essa demora teve seu lado positivo. Depois do álbum "Deggial" o grupo começou a compor material para um próximo disco (isso sem contar as composições para "Secret of the Runes", que foi um trabalho conceitual específico).


Durante esse tempo, novas composições, novos riffs surgiram. Até quando eles resolveram sentar e trabalhar esse material que no momento já somava-se um total de cinqüenta e cinco composições, com muitas é claro, boas o suficiente para estarem em pelo menos três álbuns. Devido a essa conclusão decidiram que seria conveniente se já pudessem lançar dois discos no momento e deixar somente o terceiro para depois.


2004


Foi assim que em maio de 2004 fomos presenteados em dose dupla com o lançamento simultâneo dos petardos "Lemuria" & "Sirius B", dois álbuns realmente excepcionais, parecidos e não idênticos, que refletem muito dos melhores momentos da banda – e por falar em banda, nesse mesmo tempo é anunciado que Petter Karlsson é o novo baterista, assumindo o lugar de Rickard Evensand que após participar das gravações dos novos discos, deixou o grupo para entrar no Soilwork.


Foram quase onze meses de trabalho duro, cento e sessenta e quatro músicos envolvidos, sendo grande parte do coral Kuhn Mixed Choir e da Orquestra Filarmônica da Cidade de Praga (República Tcheca), que juntaram ao peso do metal novos elementos com influências folk, balalaicas, mandolins, cravo real, órgãos e tambores.


As gravações ocorreram em três partes: as linhas de bateria, baixo, guitarras e vocais foram gravadas no próprio Modern Art Studios, as orquestrações e corais no Smecky Studios em Praga e partindo depois para a Dinamarca onde gravaram o órgão de igreja, que foi captado na mais antiga igreja de Copenhagen, e ficando para o final a mixagem, que foi realizada no impecável Sun Studios por Lars Nissen (que trabalhou no álbum Judas Christ do Tiamat), onde também realizaram algumas gravações extras de um órgão Hammond e um antiguíssimo Melotron.


Está na cara que "Lemuria" e "Sirius B" possuem uma maior aproximação ao "heavy metal" em comparação aos trabalhos anteriores, prova disso são as constantes linhas vocais típicas do estilo, primorosamente cantadas por Mats Levén (At Vance, ex-Malmsteen, Abstrakt Algebra e outros) em canções mais diretas como "Blood of Kingu" e "The Klysti Evangelist", primorosa também é mais uma vez a participação de Piotr Wawrzeniuk, alternando seus vocais com as sopranos em belas canções como "Dark Venus Persephone" e "Lemuria".


Apesar das músicas contidas nos dois discos terem sido escritas, gravadas e mixadas ao mesmo tempo, esses são discos diferentes, pois as canções foram divididas por proximidade. "Lemuria" acabou soando mais alternativo, contendo faixas mais diversificadas e até meio vanguardistas, enquanto "Sirius B" é mais direto com canções mais acessíveis e melódicas.


Não são álbuns conceituais, as músicas possuem uma grande variação temática, envolvendo lendas antigas como as do antigo Egito, passando por personagens da história russa, como Rasputin, explorados com maestria mais uma vez pelo grande amigo da banda Thomas Karlsson, responsável pela criação dos tópicos e letras desde a época do álbum "Vovin", prova disso são as faixas título "Lemuria" e "Sirius B".


Lemuria é o nome de um continente sub-aquático como o de Atlanta, só que era muito maior e afundou há muito mais tempo e que de acordo com algumas mitologias fora colonizada por antigos sumérios, atlantes e povos do antigo Egito, também é conhecida no meio arqueológico como Mu ou a Terra de Mu.


Já "Sirius B", bem "Sirius A" é o nome de uma estrela que pode ser vista a olho nu nos céus setentrionais, "Sirius B" é uma espécie de estrela-irmã de "Sirius A", que já não pode ser vista a olho nu e exerce grande força gravitacional sobre "Sirius A", ficando em constante movimento, mudando de lugar; mas o fascinante mesmo é que uma tribo da África, precisamente em Mali, já sabia da existência dessas estrelas há muito mais tempo que o homem branco. As histórias contam que eles souberam disso através de extraterrestres que os visitavam.


Outro grande álbum que saiu em 2004 atende pelo nome de "Riders of the Apocalypse", obra de mais uma mega-banda intitulada Demonoid, que nada mais é do que um projeto que reúne os músicos do Therion, que conta com um excelente trabalho de guitarra de Kristian, a melhor performance vocal até hoje de Christofer, ótimas linhas de baixo de Johan e a bateria técnica de Rickard Evensand (agora ex-Soilwork e atual Chimaira).


A vontade de montar um projeto "mais brutal" sempre esteve na cabeça de Kristian e tudo começou a ganhar forças em 2002, quando a banda já não estava muito ocupado naquele momento, restando apenas algumas datas da turnê para serem cumpridas, o que possibilitou mais tempo de dedicação para o projeto.


Ao contrário do que se deveria esperar , não há aqui uma ponta do Therion que conhecemos e nem um suposto retorno aos primórdios da banda, pois esse é um projeto encabeçado pelo Kristian que não chegou a ter contato com esse passado do Therion. Há sim, uma devastação sonora à moda antiga de um excelente "trash/death old school". O grupo resgatou aquilo que se fazia de melhor nos gloriosos oitentas, criando uma nova e desafiadora combinação com um toque "black metal" moderno em músicas que transmitem aquela sensação ao nosso pescoço como nenhum outro estilo musical consegue, obrigando até os mais serenos a abanarem a cabeleira.


"Riders of the Apocalypse" conta uma história que é parte fantasia e parte baseada em elementos teológicos e históricos, centralizados nos personagens bíblicos "Os Cavaleiros do Apocalipse".


Pode não ser a coisa mais inovadora que já ouvimos, mas este é um disco perfeito para relembrar o "old felling" que fez muitos se apaixonarem pelo que hoje chamamos de "heavy metal".


2005


Com muitos discos lançados e ganhando novos fãs a todo instante, Christofer teve o cuidado de proporcionar que esses novos fãs tivessem acesso a algum material antigo da banda, já fora de catálogo, resultando assim em 2005 no lançamento do disco intitulado "Atlantis Lucid Dreaming", que nada mais é do que uma versão condensada dos trabalhos "A'arab Zaraq Lucid Dreaming" (1997) e "Crowning of Atlantis" (1999). Christofer achou interessante pegar esses discos que não são exatamente álbuns regulares da discografia do grupo, mas sim lançamentos intermediários com covers e sobras de estúdio e juntá-los num único disco para oferecê-los a um valor mais em conta para os fãs.


2006


Um dos lançamentos mais aguardados de 2006 foi sem dúvida alguma foi o tão esperado dvd, quer dizer dvd's, um box-set sêxtuplo contendo quatro dvd´s mais dois cd's de áudio, chamado "Celebrators of Becoming", que é considerado uma das obras mais compreensivas já lançadas por uma banda de "heavy metal" e tornando-se o sonho de consumo de qualquer pessoa que aprecia o trabalho dessa grandiosa formação sueca.


Não pense que são apenas quatro dvd's, mas são sim quatro dvd's abarrotados de material. São quase doze horas de shows, imagens raras, biografia musical e extras incríveis. Estão aqui dois shows ao vivo completos, o principal é da última turnê gravado na cidade do México e o outro é de alguns anos atrás gravado no Wacken [Open Air] na Alemanha. Contém ainda o filme "The Golden Embrace" onde Christofer compôs a trilha sonora, todos os vídeos clipes, muitas cenas de backstage, cenas da banda e da orquestra gravando em estúdio, imagens de turnês, de ensaios, enfim um monte de coisas. Um dos dvd's que podemos considerar como disco bônus é o "Tour Report", que inclui somente imagens gravadas com as câmeras pessoais ao longo da última turnê. O "Historical Disc" também é muito especial, principalmente para os mais aficcionados, pois reconta a história da banda com um monte de imagens raras e materiais piratas. A primeira filmagem é de 1989, onde vemos um grupo muito jovem tocando num dos primeiros shows na Suécia, passando ano a ano até os dias de hoje, mostrando também todos os diferentes integrantes que fizeram parte da banda, criando assim uma espécie de biografia musical mostrando toda a grandiosa evolução do Therion. E tem ainda o cd duplo que inclui o áudio do show no México. Realmente um box set tão gigantesco quanto o horizonte musical que o Therion explora.


2007


Já no começo de 2007 o grupo surge com seu novo trabalho, o audacioso e para muitos fãs, um divisor de águas, chamado "Gothic Kabbalah". Como prometido por Christofer em algumas entrevistas, esse álbum têm um direcionamento musical naturalmente voltado para o progressivo.


Enganam-se os que acharem que esse disco é a terceira parte da prometida trilogia iniciada quando o grupo fez todas aquelas composições que davam para encher tranqüilamente uns três álbuns completos, Christofer fez questão de esclarecer que deixou de lado aquelas canções que iriam fazer parte da seqüência de "Sirius B" e "Lemuria" para serem trabalhadas num futuro próximo e que, aproveitando a sintonia musical que havia com os outros membros, principalmente com a recém entrada do multi-instrumentista Snowy Shaw (King Diamond, Mercyful Fate, Memento Mori e Notre Dame) na banda, dedicou seu tempo para novas composições, especialmente escritas para o quase conceitual "Gothic Kabbalah".


Dividido em dois discos "Gothic Kabbalah" nos mostra um Therion em constante evolução, que num primeiro momento se apresenta um pouco difícil de se assimilar do que qualquer outro trabalho da banda, exigindo mais dos nossos cérebros para entender toda a beleza que vai acontecendo durante sua audição. Nota-se uma postura, digamos assim, voltada para o quesito 'banda', devido a sutil participação das orquestras e corais, pouco explorados nesse álbum, focalizando um excelente trabalho progressivo, dando mais ênfase aos trabalhos vocais, de guitarras, baixo e bateria. Os vocais se destacam pela maneira que são executados, hora líricos e na sua grande parte vocais limpos, sem grande complexidade dando um toque especial para cada canção. "Além do vocalista Mats Levén nesse disco há novas participações, como a do baterista Petter Karlsson usando sua voz em canções como "Tuna 1613" e "Chain of Minerva" e a do multi-instrumentista Snowy Shaw em faixas como "Wand of Abaris" e "The Path to Arcady".


Creio que muitos se surpreenderão com esse álbum, principalmente os fãs mais apegados no aspecto sinfônico do Therion apresentar suas canções, mas por outro lado não há muito do que se surpreender, ainda mais se levarmos em conta todo o desenvolvimento musical que ocorreu com o grupo desde o início quando começaram tocando "death metal" com a simples intenção de fazer algo novo e que com o passar dos anos foi evoluindo para algo que transmitia ideologias, desejos e interesses pessoais, chegando aos dias de hoje não só com o status de uma grande banda de "metal", mas acima de tudo um laboratório de música que faz a diferença na história da música, tornando tudo o que fazem único.  
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